Temas e notícias diversas sobre questões relacionadas com o ensino, actividades escolares, questões sociais e das novas tecnologias.
Domingo, 17 de Fevereiro de 2008
FORMA DE VÊR

Preocupam-me os critérios que se utilizam para selecionar os conhecimentos que se transmitem na escola. E preocupa ainda mais a atitude dos professores que têm que administrar essa complexa, difícil e sensível tarefa.  Considero repudiável a atitude cínica de quem ridiculariza os alunos que não aprendem ou que o fazem a um ritmo mais lento ou irregular. Certamente concordarão que existem muitíssimas coisas (mesmo assuntos) que os professores não sabem. É que, a não ser assim, teríamos de ridicularizar igualmente o cientista que na sua sabedoria específica, esbarraria em ignorância absoluta em muitas das parcelas do saber. O que de demérito se pode imputar aos alunos, a não ser fazerem parte do crescimento natural, na assimilação das sabedorias transmitidas pelos mais velhos. É mais que provável e nem é necessário recorrer a estatísticas, que muitos desses alunos agora sentados perante o seu professor o vão superar em conhecimentos e destreza dentro de pouquíssimos anos. Será apenas uma questão de tempo e algumas oportunidades. O conhecimento académico tem ou pelo menos deveria equivaler, ao uso prático da vida. Mas decidir o que deverá ser útil para a vida, para compreender o mundo, para ter uma profissão, ou mesmo para ser feliz, é discutível, pelo menos no que toca a alguns conhecimentos e saberes que se ensinam e se aprendem na escola. E além de mais, tem igualmente um discutível valor para uma verdadeira e justa atribuição de qualificação futura. Resumir que, a quem demonstre haver adquirido os conhecimentos, se concede uma qualificação de APROVADO, NOTÁVEL ou EXCEPCIONAL, é de facto, uma decisão injusta. Quantos são aqueles que lecionam numa escola , cujo valor de uso dos conhecimentos foram adquiridos apenas ou derivados da escola?

Quando me chega ao conhecimento que um professor "goza" com a ignorância de um aluno, que em lugar de o animar e ajudar, o despreza de forma arrogante, medito no que sucederia se no currículo oficial estivessem integradas outras matérias, saberes e habilidades diferentes daqueles que actualmente fazem parte dos mesmos currículos.

 

Como exemplo cito:

 

Fazer exercícios malabaristas com patins em linha em estilo pós moderno,

Praticar de forma hábil o snowboard sobre uma tábua rasa e descer em slalom por uma montanha gelada abaixo,

Fazer Windsurf em dias de vento vigoroso numa praia aberta ao mar,

Dançar durante horas a fio ritmos trepidantes numa discoteca a abarrotar,

Fazer "cavalinhos" sobre uma mota a uma estonteante velocidade,

Enviar mensagens a uma velocidade diabólica através do telemóvel,

Navegar num chat simultâneamente com vinte pessoas,

Fazer Parapente atirando-se vertiginosamente do cimo de uma montanha,

Conduzir uma moto de agua a uma velocidade elevada em dias de forte ondulação,

Jogar on line na Playstation 2 ou 3 com um adversário intrincado,

Construír verdadeiros mundos on-line através do Second Life,

e por aí fora...

 

É inaceitável numa sociedade moderna que hajam professores que persistem em determinadas atitudes de ridicularização, comparação e humilhação aos seus alunos.

Alguns dirão: Mas todas essas actividades nada têm que vêr com os conhecimentos ou as destrezas intelectuais. Direi, e depois? 

O currículo bem que podia incluír a aquisição das competências ou habilidades de outra natureza para além daquelas que normalmente se pedem. Os alunos consideram geralmente que aquilo que se pede em matéria de conhecimentos para o futuro e que têm de estudar é inútil e aborrecido. Que as matérias que outros decidiram para que eles as aprendam, não possuem qualquer interesse. Teremos que repensar sériamente sem depreciar o estritamente fundamental para os saberes do futuro dos nossos alunos, se,  o desporto, conjuntamente com as habilidades físicas não podem ser mais úteis para a vida, para se divertirem e mesmo para terem sucesso num grupo de semelhantes.

Imaginemos que todos teríamos os mesmos mestres e que esses mestres fossem cruéis, cínicos e actuassem de uma forma prepotente, agressiva e humilhante. Com as mesmas exigências quer fossem novos ou velhos, homens ou mulheres, obesos e anoréticos, saudáveis e enformos e assim sucessivamente.

Para exerçer o ofício de ensinar fazem falta a humildade a paciência e o compromisso.

Os profissionais displicentes, autoritários, cabem perfeitamente na definição que um dia Oscar Wilde fez do cínico. " Uma pessoa que conheçe o preço de tudo e o valor de nada".

Seria pedir muito se fossem mais humildes???

 

extraído, traduzido e adaptado do texto original de Miguel Ángel Santos Guerra

aqui:El Adarve



Publicado por marquesarede às 11:58
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